No dia das crianças, lembrei de uma figura pouco difundida, talvez por ser brasileirinha, as pessoas esquecem como foi revolucionária a grande Emilia de Monteiro Lobato. Uma bonequinha sem os pudores adultos e com toques excepcionais de inteligência critica e adorável feminismo, pra ter uma noção vou postar algumas frases que roubei do Blog Literatura de conta Gotas (ótimo por sinal):
Inventando palavras:
“(…) – Crocotó é uma coisa que a gente não sabe o que é. Crocotó é tudo que sai para fora de qualquer coisa lisa. O seu nariz, por exemplo, é um crocotó da sua cara – mas como sabemos que nariz é nariz, não dizemos crocotó. Mas se nunca tivéssemos visto o seu nariz, nem soubéssemos o que é nariz, então poderíamos dizer que o seu nariz era um crocotó…“
Sobre si mesma:
“- “Mas afinal de contas, Emília, que é que você é?”Emília levantou para o ar aquele implicante narizinho de retrós e respondeu:
”- Sou de pano, sim, mas de pano falante, engraçado paninho louco, paninho aqui da pontinha. Não tenho medo de vocês todos reunidos. Aguento qualquer discussão. A mim ninguém embrulha nem governa. Sou do chifre furado – bonequinha de circo. Dona Quixotinha …” (Dom Quixote das Crianças)
“Eu nasci boneca de pano, muda e feia, e hoje sou até marquesa. Subi muito. Cheguei muito mais que vintém. Cheguei a tostão.” (Fábulas)
Filosofando sobre a verdade:
” (…) Verdade é uma espécie de mentira bem pregada, das que ninguém desconfia. Só isso.” (Memórias da Emília)
Sobre a loucura:
“(…) – A loucura é a coisa mais triste que há…
A ideia da leitura para ser devorada:
” – Pois eu tenho uma ideia muito boa, disse Emília: Fazer o livro comestível.(…) Em vez de impressos em papel de madeira, que só é comestível para o caruncho, eu farei os livros impressos em um papel fabricado de trigo e muito bem temperado. A tinta será estudada pelos químicos – uma tinta que não faça mal para o estômago. O leitor vai lendo o livro e comendo as folhas; lê uma, rasga-a e come. Quando chega ao fim da leitura, está almoçado ou jantado.” (A reforma da natureza)
Monteiro Lobato sabia o que estava fazendo quando deu vida a uma bonequinha de pano questionadora e independente.





